Free Web Hosting Provider - Web Hosting - E-commerce - High Speed Internet - Free Web Page
Search the Web

'Vencidos da Vila': A tertúlia da Casa Amarela


manifesto dedicatória foto de família


Manifesto

Começamos pelo fim. Encerrados na Casa Amarela (lugar próprio de encerramentos), declaramo-nos desde já "Vencidos da Vila" — há que começar por baixo.

E que Vila é esta que nos vence? Compulsada a cartografia disponível, verificamos que é um local onde as fronteiras do pensamento se esbatem em tons do mais atroz cinzento; um local onde os cumes se deixam abater pelo próprio peso e não ameaçam as nuvens, como lhes competiria; um local onde os vales não verdejam, antes enegrecem como um denso pântano pimba. Urge, pois, que nos salvemos e busquemos outras cores. Ao amarelo, portanto! À tertúlia! À conspiração!

Não somos a Geração de Setenta — está bom de ver —, muito embora este fim de século esteja velho de cem anos. Temos no Eito Fora as nossas farpas, mas ninguém aqui usa bengala — outros o fazem. De Eça não celebramos a morte — mas a vida. A dele e a de todos os que souberam ou sabem pensar e estar à frente do seu tempo. O que é uma tertúlia se não uma celebração do pensamento? "Vencidos da Vila" é uma tertúlia.

Mais do que uma referência a Vila Real ou a Vila Pouca de Aguiar, de onde provimos, "Vila" deve ser entendida como a metáfora de toda a região e da sua pequenez cultural e intelectual: o provincianismo disfarçado de regionalismo, a estreiteza de vistas dourada de transmontanidade, a mediocridade a fazer-se passar por autenticidade.

Alguns, não resistindo ao trocadilho fácil, dir-nos-ão convencidos. Não o neguemos: estamos convencidos de que é possível fazer mais e melhor do que se tem feito; estamos convencidos de que é possível remar contra a corrente dominante que faz do elogio mútuo o garante do reconhecimento; estamos convencidos de que há uma alternativa ao imobilismo; estamos convencidos de que mais vale a imodéstia de tentar outros caminhos neste Trás-os-Montes tímido, do que a falsa glória de trilhar as habituais vias sacras do conformismo e da autocomiseração.

Também estamos convencidos de que nunca seremos vencedores. O facilitismo encerra em si o mecanismo da sua perpetuação e a vanguarda será sempre minoritária, porque o caminho é mais duro. Mas não será esta certeza que nos fará desistir: recusamo-nos a deixar-nos afogar nesta corrente acrítica, a cair no vazio de ideias; resistiremos a ser emparedados pelo monolitismo circundante. Depois da Vila, nada nos pode vencer. A não ser, claro, a nossa inépcia...

Celebremos então, enquanto outros se atolam — a literatura, a arte, o pensamento, a acção...


Vila Real, Quinta da Casa Amarela, 22 de Dezembro de 2000

Carlos Chaves
Fernando Gouveia
Francisco Claudino
Frederico Amaral Neves
José Ferreira Borges
Luís Teixeira
Maria Filomena
Paulo Araújo
Rui Ângelo Araújo
Vítor Lamas
Vítor Nogueira


versão para imprimir
Se desejar imprimir este texto, imprima antes a versão PDF, pois o resultado terá mais qualidade.

Nota: A abertura de ficheiros PDF exige um programa especial (p. ex., o Adobe Acrobat Reader ou o GSview). Se não tem nenhum destes programas instalado no seu computador, siga este link para obter gratuitamente o Acrobat Reader no site da Adobe.


© 2000 “Vencidos da Vila” (A tertúlia da Casa Amarela)
Os “Vencidos da Vila” continuam activos na revista Periférica.